Árvores exóticas têm mais chances despencar

Especialista explica que é preciso ter planejamento na hora do plantio

As dezenas de árvores que caíram durante o vendaval que atingiu a região no início da manhã de quarta-feira (26 de abril), atingindo casas e interditando a BR-101, chamam a atenção para um problema: o não planejamento correto do plantio, das podas e dos cuidados.

É o que aponta Heli Schlickmann, técnico agrícola e especialista em gestão ambiental, plantas ornamentais e medicinais. Muitas das espécies derrubadas pela ventania, anteontem, eram exóticas e, justamente por não serem nativas e estarem plantadas em qualquer lugar, correm

mais risco de serem levadas pelo vento.

Pinheiros, falsa figueira e eucaliptos foram algumas das espécies que tombaram com a força dos ventos e deixaram muitos moradores no prejuízo.

Heli Schlickmann diz que, por serem exóticas, elas não se adaptam ao solo e têm um crescimento desordenado em relação às árvores nativas.

Segundo o especialista, muitas das árvores que não são nativas não têm raiz ‘pivotante’, que é a raiz profunda.

A maioria tem raiz ‘tabular’, que são raízes que crescem para os lados, sem profundidade e, consequentemente, são mais vulneráveis à força dos vendavais.

“Muitas vezes elas têm dificuldades de introduzir a raiz no solo e ter resistência. Elas até podem ter condições melhores de se desenvolver e têm uma copa grande, mas há um desequilíbrio entre a raiz, o tronco e a parte aérea”, explica.

Essa figueira, que tombou na praia Brava durante o vendaval, não é nativa

Quando uma árvore é podada de forma errada também pode causas danos, ressalta Heli. “Quando a Celesc corta os galhos que vão pegar na fiação, por exemplo, não se preocupam com a arquitetura e o equilíbrio da planta, o que pode fazer com que ela penda para um dos lados”, afirma.

A planta certa para o local certo

Outro problema apon­tado por Heli Schlick­mann é sobre a indica­ção das espécies para cada local. “É preciso escolher a árvore certa,” afirma.

Se, ao plantar uma ár­vore, fosse feita essa análise, segundo o espe­cialista, até poderia ser uma planta exótica, mas que estivesse de acordo com o local.

A Extremosa, por exemplo, tem até cinco metros de altura e es­pécies mais baixas são mais resistentes aos ven­tos. “A árvore é uma alia­da das pessoas. No verão sempre procuramos uma sombra, mas precisamos escolher a espécie certa e cuidar dela”, comenta.

O especialista cita que o que poderia acabar com os problemas rela­cionados às árvores seria o Plano Diretor de Arbo­rização Urbano. Segundo ele, cidades acima de 20 mil habitantes são obri­gadas a ter este plano, que serve para nortear os plantios. O plano está em discussão no conselho Municipal do Meio Am­biente (Condema).

Pinheiros também não são indicados na região

 

Eucaliptos devem ser evitados ou monitorados de perto no solo da região

*Matéria publicada no Jornal Diarinho em 28 de abril de 2017 – www.diarinho.com.br

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